8ª Etapa – Os Rios Voadores e o 1500

Bahia (Brasil) 10 min

Sinopse

A oitava etapa da Realidade Nascentes da Crise expôs a hipótese da influência dos “rios voadores” do Amazonas na chegada dos portugueses em 1500.

A partir da releitura da Carta de Pero Vaz de Caminha, o vídeo documentário que resume a oitava etapa do Reality Nascentes da Crise foi produzido no extremo sul da Bahia. Entre março e abril de 2021, Diego Gazola, de Varginha, percorreu a região geográfica entre a foz do rio Jequitinhonha, no município de Belmonte, e o rio Cahy, no Prado.

O novo filme, com aproximadamente 10 minutos de duração, apresenta dados técnicos coletados pelos satélites Climatempo, validados por meio de experiências vividas em que o fluxo de umidade da Amazônia influencia regularmente o regime de chuvas naquela região. Tanto nas cabeceiras dos rios como em toda a área que foi designada como zona turística da Costa do Descobrimento.

Segundo a Carta de Pero Vaz de Caminha, primeiro documento escrito no atual Brasil, um dia antes de avistar a montanha e chegar ao litoral, os navegadores avistaram pedaços de plantas flutuando no oceano. Este fato significava que estariam perto de terra firme. Assim consta no registro histórico original: “…foi no dia 21 de abril, estando a referida ilha a 660 ou 670 léguas de distância, segundo o que disseram os pilotos, encontramos alguns sinais de terra, havia muita grama alta , que os marinheiros chamam de botelho, além de outros que chamam de rabo-de-asno.”

Dentre todos os rios do litoral sul da Bahia, o rio Jequitinhonha é o de maior vazão hoje, e potencialmente também há cinco séculos. Esse corpo d’água pode ter sido o responsável pela liberação das ervas daninhas avistadas pela tripulação no mar, já que esta época do verão e início do outono é historicamente uma época de enchentes dos rios.

A foz do rio Jequitinhonha fica a cerca de cento e cinquenta quilômetros em linha reta da foz do rio Cahy, local acordado como ponto de chegada dos portugueses no dia 22 de abril após avistarem no horizonte uma imponente montanha que mesmo dia. dia. Devido à proximidade do Domingo de Páscoa, chamaram-no de Monte Pascoal.

Durante a pesquisa para Nascentes da Crise foram entrevistados alguns historiadores, entre outros, Sidrach Carvalho Neto, autor da obra “Santa Cruz Cabrália, cinco séculos de história”. Ajudou a validar a origem da hipótese levantada por Diego Gazola: que as chuvas vindas do noroeste em direção à região vinham da Amazônia e teriam elevado o nível das águas do rio Jequitinhonha. Posteriormente, as correntes marítimas poderão ter carregado restos de vegetação que marcaram o percurso da chegada dos portugueses ao alto mar.

Os povos indígenas Pataxó também contribuíram para o estudo, especialmente aqueles que atualmente habitam o entorno do Parque Nacional e Histórico Monte Pascoal. Segundo disseram, o nome da montanha na língua indígena Patxohã é Egnetope e do seu cume observam que as chuvas nesta época do ano vêm principalmente do interior do continente e não do litoral.

Na Carta, Pero Vaz de Caminha refere que além da montanha alta e redonda, avistavam-se outras serras mais baixas a sul. Esta região hoje pertence ao município de Itamaraju, localizado a cerca de 50 quilômetros em linha reta do litoral baiano.

Durante a investigação, Diego Gazola também esteve nesta cidade, especificamente no Assentamento Sustentável Pau Brasil, localizado no entorno do Monte Pescoço. Em 2014, ali foi descoberto e catalogado o maior e mais antigo exemplar de pau-brasil do mundo. Tem cerca de 600 anos e existe desde antes da chegada dos portugueses e do início da extração desenfreada da árvore que deu nome ao nosso país.

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